O HOMEM QUE QUERIA A PAZ, MAS FEZ (E VENCEU) A GUERRA

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AQUINO CORRÊA (*)

Outro dia vi, num canal de TV fechado, um excelente filme-documentário sobre a vida de Abraham Lincoln (1809-1865). Não é por acaso que ele é considerado um dos “pais” da pátria estadunidense: seu papel na “Guerra de Secessão” norte-americana foi notável – antes, durante e depois do conflito, o maior das Américas, com mais de 600 mil mortos, entre civis e militares, e outro tanto de feridos.
As pressões que sofreu durante a guerra civil (1861-1865) foram enornes, mas jamais abriu mão de suas convicções. Exemplo: no verão de 1864, o destino da guerra ainda não estava definido. Seu partido (União Nacional/Republicano) e seus aliados queriam que ele selasse a paz com os Confederados (separatistas sulistas), sem incluir a questão do fim da escravatura no país.
A eleição se realizaria dali a poucos meses, e a opinião pública estava cansada da guerra.
Lincoln não aceitou: manteve sua determinação de acabar com o flagelo da escravidão negra nos EUA, conseguiu se reeleger com folga e, após assumir seu segundo mandato, conseguiu a aprovação, pelo Congresso, da 13a. Emenda da Constituição norte-americana (31/01/1865), que proibiu a escravidão no país.
Com a vitória da União sobre os Confederados, Lincoln não permitiu que o ódio e o ressentimento permeasse as relações entre vencedores e vencidos – a despeito da opinião de militares e membros de seu governo, que queriam responsabilizar os sulistas pelos prejuízos da guerra.
Ele estava certo: com o fim da guerra, os EUA viveram uma era de prosperidade sem precedentes. O país, em pouco mais de meio século, foi o que primeiro dominou, entre outras coisas, a tecnoligia da produção do aço, do petróleo e da energia elétrica. Entrou no século XX como uma grande potência econômica mundial.
Pena que, por parte de muitos (nos estados do sul dos EUA) não tenham tido a mesma grandeza cívica de Lincoln: após a guerra, muitas regiões do país foram infestadas por gangues e bandoleiros de todo tipo, movidos pelo ressentimento da derrota. Até hoje, tal sentimento ainda se expressa nas ações nefastas de organizações racistas como a Ku Klux Klan (KKK).
Abraham Lincoln também não teve muito tempo para saborear os tempos de paz e prosperidade, pelos quais tanto lutou: foi assassinado apenas cinco dias depois (15/04/1865) do fim do conflito, justamente por um ressentido ator, adepto da causa dos Confederados. Mas seu legado de tolerância, civismo, igualdade e fraternidade permanece até hoje. Os EUA não teriam tido o mesmo destino grandioso, não fosse a determinação, a coragem, o desprendimento, o civismo e a liderança do grande estadista Abraham Lincoln.

(*) AQUINO CORRÊA é jornalista, escritor, MBA em Administração, e Auditor Fiscal (aposentado) da Sefaz/MT.

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